Nova Iorque - Com a proibição de fumar em espaços fechados, grupos de trabalhadores a fumar à entrada de escritórios ou restaurantes tornaram-se paisagem em Nova Iorque, e, com as últimas restrições, nasceram ajuntamentos semelhantes em parques e praças.
"As pessoas estão a fumar e depois a entrar como se tivessem a entrar num edifício!", queixava-se Ayanna, funcionária do "Zoo" do Central Parque, na terça-feira, segundo dia de vigor da nova lei que proíbe o puxar do cigarro em parques da cidade, mas também nas praias e até em praças, caso de Times Square.
"Não há melhor ambiente porque eles fumam mesmo antes de entrar, portanto ainda inalo o fumo", lamentava uma jovem, que apoia a lei. "Quem me dera que deixassem de vender tabaco. Nenhumas drogas, nenhum tabaco... um mundo perfeito!".
Em Central Park já eram bem visíveis, na segunda-feira, os sinais a proibir o fumo, tal como em Times Square.
Ainda assim, foi fácil identificar prevaricadores, no caso observado pela Lusa dois jovens turistas franceses, que disseram desconhecer a nova lei.
Mais do que com fiscalização, a câmara de Nova Iorque conta com a pressão e mesmo a denúncia dos não-fumadores para assegurar o cumprimento.
Muitos fumadores mostram-se moderados e compreensivos em relação à lei, mas temem que seja um passo para novas restrições ao cigarro, numa cidade onde um maço custa cerca de 11 dólares (cerca de oito euros).
"A questão é o que vem a seguir. Para quem quer fumar ou beber, o que quer que seja (...) Uma pessoa deve poder fazer o que quer", afirmou o jovem "chef" Tom, enquanto fumava à porta do restaurante.
À porta do armazém onde trabalha, John Papas goza da pausa para o cigarro, enquanto disse que a lei é "uma boa ideia" e, pessoalmente, um incentivo para voltar a deixar de fumar.
"Isto não faz bem à saúde. Tenho de cortar, tenho de parar.
Estou a planear. No final do mês vou tentar deixar", disse.
Esta é já considerada a maior medida anti-tabaco desde que o mayor Michael Bloomberg proibiu em 2002 o fumo em restaurantes
e bares, e gerou forte debate dentro da câmara, com alguns membros a defenderem que se está a ir longe de mais, interferindo com as liberdades individuais dos fumadores.
Estes foram a partir de então forçados a fumar à porta, enfrentando neve e temperaturas até 10 graus negativos no inverno, nas suas caminhadas ou nos bancos de jardim, o que deixou de ser possível.
A aplicação da lei é vigiada pelo Departamento de Parques e Recreação da cidade, e as multas poderão ascender a 50 dólares.
Mas, segundo um guarda da Central Park, que preferiu não se identificar, não foram ainda passadas multas, mas apenas dados avisos a incumpridores.
A câmara espera que a pressão dos não-fumadores torne desnecessária uma "caça à multa", e alguns grupos de fumadores estão a apelar à desobediência e a organizar "smoke-ins", concentrações públicas de fumadores.
Para sábado o principal grupo de "direitos dos fumadores" marcou uma concentração na praia Brighton Beach.
"Quando uma lei é tão errada, só pode haver um último recurso para levar à mudança a desobediência civil", lê-se na convocatória aos fumadores.
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